Sem pretender esgotar o assunto, este espaço foi idealizado como uma forma de homenagem aos meus antepassados e também, para ser um ponto de referência e auxílio para todos os descendentes dos numerosos ramos da família Piazzetta espalhados pelo mundo. As dramáticas condições da emigração veneta, principalmente aquela do final do século XIX, muito dificultam a pesquisa e o entendimento do nosso passado familiar. Acreditamos que o conhecimento da nossa história familiar e também daquela coletiva, os fatores que ocasionaram esse verdadeiro êxodo, muito contribuirão para o nosso crescimento pessoal.
A necessidade de emigrar
A península italiana, o território do que hoje conhecemos por Itália, tem uma história milenar e rica de acontecimentos que forjaram a têmpera dos atuais habitantes. Um breve resumo da história:
Com a queda do Império Romano em 476 d.C. a península italiana como um todo passou por inúmeras invasões e dominações estrangeiras, submetida a diversos tipos de governo. Passou séculos pelo nebuloso período medieval e mais tarde pelo período feudal, onde as terras férteis disponíveis para o plantio eram de propriedade de nobres senhores, os quais moravam em grandes castelos de pedras, cercados por muralhas e, em sua volta, se amontoavam as centenas de pobres agricultores que trabalhavam nas terras e nos serviços do castelo.
Eram chamados de "servos da gleba", uma forma de propriedade dos nobres, que dispunham da suas vidas a bel prazer. Trabalhavam sem receber salários para os tais ricos senhores, que, em troca, os deixavam morar e cultivar em suas terras, mas, sempre se apropriando da maior parte das colheitas. Não podiam se transferir de local, se ausentar ou mudar de patrão, permaneciam por toda vida nas terras do seu senhor.
Aproximadamente no ano de 1493 a atual Itália chegou ao que denominamos hoje de período renascentista, quando, em vários locais da península, floresceram as artes e novamente voltaram a crescer as cidades. Nessa época o país Itália ainda não existia, a península estava assim dividida: ao sul o Reino das duas Sicílias, que viu por ela passar vários povos que a dominaram por séculos: gregos, romanos, muçulmanos, francos normandos e finalmente os espanhóis. O centro do atual país era domínio da Igreja, com a sede do governo em Roma, no Vaticano e o norte dividido em vários impérios, senhorias, ducados e repúblicas, entre as quais se destaca a rica e potente República Sereníssima de Veneza.
É justamente nessa república de grande tradições marinhas, que teve uma duração de 880 anos, que se encontra hoje a região do Vêneto, cuja capital fica na cidade de Veneza. Esta região é constituída por sete províncias: Treviso, Veneza, Verona, Vicenza, Pádua, Belluno e Rovigo. Foi exatamente na província veneta de Treviso que a história da família Piazzetta teve início.
A situação social, política e econômica da região do Vêneto, que se seguiu ao movimento conhecido por Risorgimento, que durou de 1840 a 1870, culminando com a unificação da Itália se agravou de uma maneira antes não sentida. A partir dos últimos 25 anos do século XIX, com o aumento do custo de vida e o grande desemprego no campo, tornaram insustentável a vida dos menos favorecidos.
A fome, a pelagra e a falta de perspectivas de um futuro melhor, forçaram milhares de homens, mulheres e crianças a abandonarem para sempre suas vilas e cidades natais, seus familiares, emigrando definitivamente para países longínquos em busca de uma melhor sorte, que na maior parte das vezes nada mais era que um trabalho digno, um pedaço de pão à mesa e um futuro melhor para os filhos.
O Império Brasileiro naquela época estava vivenciando diversos movimentos abolicionistas com 0 surgimento de novas leis que procuravam proteger os escravizados, como a Lei do Sexagenário, em que o escravo era libertado quando atingia sessenta anos, a Lei do Ventre Livre, em que o filho de escravos era considerado livre, leis que progressivamente culminaram na abolição definitiva da escravatura no país em 1888.
Pela sua vasta extensão, pelas várias facilidades proporcionadas pelo governo brasileiro, no início do período migratório, se tornou desde logo no sonho da maioria daqueles emigrantes vênetos que procuravam um lugar para trabalhar e ganhar o pão de cada dia, um lugar em que pudessem ser proprietários das terras em que trabalhavam e livres para poderem dar um futuro melhor aos seus filhos.
A difícil decisão de emigrar, as incertezas e os temores da viagem através do desconhecido oceano, as precárias condições a bordo, as inúmeras dificuldades encontradas ao chegarem na nova terra, marcaram profundamente a vida dos nossos antepassados, e estes sentimentos foram repassadas para nós seus descendentes, como uma forma de herança.
Para melhor situar o leitor no tempo, iniciaremos este relato a partir do ramo da família Piazzetta descendente do emigrante vêneto Francesco Piazzetta, que chegou no Brasil no ano de 1890. Lembramos, por outro lado, que este espaço está aberto para a divulgação de todos os demais ramos da Família Piazzetta, bastando aos interessados nos enviar material para o endereço de contato do autor deste blog: luizcpiazzetta@gmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Bem vindo ao blog da Família Piazzetta