29 setembro 2022

Família Noè Piazzetta


Família Noè Piazzetta em 1910
da esquerda para direita: Antonio, Nazareno, Carlos Reinaldo (no colo da mãe, Luigia, Noè e Maria Carmelinda (Colomba). Francisco (Chico) ainda não era nascido



Noé Piazzetta nasceu no dia 27 de Janeiro de 1879, no bairro conhecido como Ghetto, na cidade de Pederobba, província de Treviso e  faleceu em Curitiba, estado do Paraná, em 27 de Agosto de 1929.

Quando tinha 8 anos de idade, no dia 29 de Dezembro de 1886 perdeu a mãe Maria A. Segusino Verri devido um carcinoma de mama.


Noè e Francesco Piazzetta




Noè Piazzetta em 1910


Já no Brasil, casou-se no dia 11 de Junho de 1898, em Curitiba, PR, com Luigia Pasello, conhecida como Luiza, nascida em em 27.08.1878, no distrito de Carpi, do município  de Villa Bartolomea, província de Verona, filha de Antonio Pasello e Theresa Bettarello. Faleceu em 12.11.1951 em Curitiba, Paraná.

Antonio Pasello era nascido em Ramadipalo  Rasa, província de Rovigo, em 13.07.1837,   filho de Matteo Pasello e Lucia Bernardinello. Tinha um irmão chamado Gervasio Pasello nascido em 08.11.1849.

Teresa Bettarello era nascida em Badia Polesine, província de Rovigo em 24.04.1839 filha de Antonio Formigaro e Maria. 

Antonio e Theresa tiveram 5 filhos: Domenico Pasello nascido em 05.11.1867, Angelo Pasello nato em 05.11.1899 em Villa Bartolomea, província de Verona, Amabile Maria Pasello nata em 04.05.1871, Luigia nascida em 07.11.1874 e Erminia Pasello em 27.04.1879.

Emigraram para o Brasil em fevereiro de 1877.


Luigia Pasello



Noè e Luigia tiveram cinco filhos: Nazareno Ernesto Piazzetta, Antonio Piazzetta, Maria Carmelinda Piazzetta, mais conhecida como Colomba, Carlos Reinaldo Piazzetta e Francisco Piazzetta.

Nazareno Ernesto Piazzetta, nasceu aproximadamente em 1900 e faleceu em 1980. Era comerciante e representante comercial,   tendo fixado residência por diversos anos em São Paulo. Casou-se com Cora Conrado, filha do cônsul uruguaio em Passo Fundo e tiveram um filho Yegor Piazzetta, nascido em Curitiba em 07.03.1933 e falecido em Passo Fundo, RS em 1994, onde morava a muitos anos. 

Antonio Piazzetta, nasceu em 1902 e faleceu em 1960, casou-se com Raulina Rosa e tiveram um filho Luiz Antonio Piazzetta, mais conhecido como Tonico, nascido em Curitiba em 14.11.1938. Antonio trabalhou durante toda a sua vida na Rede Ferroviária, exercendo a profissão de carpinteiro e marceneiro. 

Maria Carmelinda Piazzetta, conhecida como Colomba, nasceu em Curitiba, Paraná em 1907 e faleceu em 28 de Julho de 1996 na mesma cidade. Casou-se com Mário Scaramuzza, médico clínico geral em Curitiba com quem teve três filhos: Maria Scaramuzza, já falecida, Mauro Scaramuzza, médico pediatra, também já falecido e Luiza Scaramuzza Senff.



Carlos Reinaldo Piazzetta, conhecido na família como Naldo, nasceu em Curitiba, Paraná em 21 de Abril de 1910 e faleceu na mesma cidade em 02 de Agosto de 1991. Se diplomou em contabilidade e trabalhou alguns anos como bancário em Curitiba. Tempos depois trabalhou  como representante comercial. Em 04 de Março de 1943 casou-se em Curitiba com Luiza Beleda, filha do comerciante Casemiro Beleda e Ludovina Blanco, ambos imigrantes, provenientes respectivamente de Pixeros (Gudiña) e Viana do Bolo, na  província de Orense, região da Galícia, Espanha. Tiveram dois filhos: Luiz Carlos B. Piazzetta e Sérgio Paulo B. Piazzetta.


Casamento de Carlos Reinaldo Piazzetta e Luiza Beleda




Luiza Beleda, em 1930


Carlos Reinaldo Piazzetta




Francisco Piazzetta, conhecido por Chico, nasceu em data desconhecida, era comerciante em São Paulo, onde viveu por muitos anos, voltando a residir em Curitiba. Faleceu em 2005, nesta cidade, não deixando descendência.





A Chegada da Família Piazzetta na nova terra


 


Depois de mais de trinta dias de viagem a bordo do navio Adria, finalmente chegaram ao Porto    Rio de Janeiro, a então capital federal do Brasil, ao raiar de um novo ano. 

Depois de um breve descanso na Hospedaria de Imigrantes na Ilha das Flores, tempo necessário para cumprirem o período obrigatório de quarentena. Não sabemos quanto tempo ficaram, pois, nem todos os imigrantes ao desembarcarem precisavam ficar muitos dias antes de prosseguirem viagem aos seus destinos, principalmente se não tivessem ocorrido doenças transmissíveis a bordo durante a travessia, como foi o caso desta viagem.

Assim, após alguns dias embarcaram no vapor Rio Negro com destino ao Porto de Paranaguá, porto final desta viagem e aonde chegaram no dia 14 de Outubro de 1890.

Não tenho detalhes sobre este período entre a chegada em Paranaguá e a fixação na capital paranaense. Através de informações de outros parentes, disseram que em Paranaguá, Francesco Piazzetta hábil artesão, juntamente com os filho mais velho, exerceu a secular atividade de família, trabalhando a madeira na construção de portas, janelas, assoalhos, forros e móveis entalhados. Também os outros filhos foram iniciados na mesma atividade. Porém esse período ainda não pode ser comprovado.

Francesco Piazzetta com os seus filhos se transferiram para Curitiba, capital do estado do Paraná, situada em um amplo altiplano, a 990 metros sobre o nível do mar, onde as condições climáticas são muito parecidas àquelas da cidade natal no Vêneto.

Estabeleceram moradia na Colônia Dantas, atual bairro da Água Verde, uma das diversas colônias italianas criadas em torno da capital. A Colônia Dantas inicialmente pertencia à paróquia de Santa Felicidade, onde já era muito grande a presença de imigrantes vênetos e seus descendentes.





A Viagem sem Retorno

 




Como tantos outros vênetos e italianos de outras regiões, no ano de 1890 Francesco Piazzetta, viúvo com cinco filhos, em face das difíceis condições de vida na Pederobba de então, com a falta de perspectiva de um futuro digno para os seus filhos, decidiu emigrar para o Brasil. Esta foi uma das decisões mais difíceis da sua vida que implicava em uma mudança radical a partir de então. 

De um lado, a difícil travessia do oceano desconhecido, com todos os possíveis perigos durante a longa viajem de mais de trinta dias sem ver terra. Também a falta quase total de conhecimento do país que os esperava, o quase desconhecido Brasil, a terra prometida, com as suas decantadas maravilhas.

Por outro lado, a fé e a grande convicção de vencer, de serem livres em um país que se acreditava de grande futuro, onde poderiam construir uma nova vida.

Tomada a decisão, Francesco providenciou os bilhetes e os passaportes para a viagem. Colocou a venda os poucos bens que possuía, conseguindo assim um pequeno capital que seria empregado na reconstrução das suas vidas na nova Pátria. 

Ao partirem deixaram em Pederobba a filha primogênita e irmã Giovanna Antonia, então já casada com Luigi Viviani, a qual nunca mais voltariam a vê-la.

Assim, no mês de Setembro de 1890, Francesco Piazzetta e os filhos: Giovanni Battista com 19 anos, Colomba Rosa com 14 anos, Noé com 11 anos e Augusta Aurora com 10 anos, deixaram para sempre a sua querida terra natal para nunca mais voltarem.

Se dirigiram para a estação de trens mais próxima, na vizinha cidade de Cornuda, muito próxima a Pederobba. Subiram no trem em direção ao porto de Gênova. Durante o trajeto a composição fez diversas paradas em algumas outras pequenas cidades, nas quais embarcaram centenas de outros emigrantes que, como eles,  deixavam a Itália.

Chegando ao Porto de Gênova precisaram esperar pela partida do navio Adria que os levaria para o Brasil. Não sabemos quanto tempo tiveram que esperar para o embarque.





As duras condições de vida




Francesco Piazzetta relatava que as condições de vida, no Vêneto daquela época, não eram muito diferentes de outras cidades daquela região do norte da Itália. O custo de vida era muito alto, principalmente para os mais pobres, sendo que faltava trabalho para uma grande parte da população. A perda das colheitas na região pelas desastrosas condições do clima, durante vários anos seguidos: seca, temporais de granizo, enchentes nas planícies e aluviões nas montanhas, fizeram com que a fome e a pelagra atingissem todo o Vêneto.

Os pequenos agricultores, os trabalhadores rurais diaristas e os artesãos, sofriam muito mais, principalmente devido aos famigerados impostos sobre a farinha e sobre o sal, duas odiosas formas de taxas que penalizavam sempre os mais fracos. Não viam eles uma possibilidade de futuro melhor na sua terra natal e a voz corrente era emigrar para a América, na época o tão decantado “el dorado”. Muitos dos seus vizinhos e amigos já tinham partido em emigração e isso contagiava a todos.

Finalmente, em 1890 Francesco Piazzetta, então viúvo e com cinco filhos para criar, em face das difíceis condições de vida na Pederobba de então, com a falta de perspectiva de um futuro digno para os seus filhos, decidiu emigrar para o Brasil. Ao partirem deixaram lá em Pederobba a filha primogênita e irmã Giovanna Antonia, então já casada com Luigi Viviani, a qual nunca mais voltariam a vê-la.

Assim, no ano de 1890, Francesco Piazzetta e os filhos: Giovanni Battista com 19 anos, Colomba Rosa com 14 anos, Noé com 11 anos e Augusta Aurora com 10 anos, deixaram para sempre a querida terra natal para nunca mais voltarem.



A necessidade de emigrar

 



Sem pretender esgotar o assunto, este espaço foi idealizado como uma forma de homenagem aos meus antepassados e também, para ser um ponto de referência e auxílio para todos os descendentes dos numerosos ramos da família Piazzetta espalhados pelo mundo. As dramáticas condições da emigração veneta, principalmente aquela do final do século XIX, muito dificultam a pesquisa e o entendimento do nosso passado familiar. Acreditamos que o conhecimento da nossa história familiar e também daquela coletiva, os fatores que ocasionaram esse verdadeiro êxodo, muito contribuirão para o nosso crescimento pessoal.

A necessidade de emigrar

A península italiana, o território do que hoje conhecemos por Itália, tem uma história milenar e rica de acontecimentos que forjaram a têmpera dos atuais habitantes. Um breve resumo da história:

Com a queda do Império Romano em 476 d.C. a península italiana como um todo passou por inúmeras invasões e dominações estrangeiras, submetida a diversos tipos de governo. Passou séculos pelo nebuloso período medieval e mais tarde pelo período feudal, onde as terras férteis  disponíveis para o plantio eram de propriedade de nobres senhores, os quais moravam em grandes castelos de pedras, cercados por muralhas e, em sua volta, se amontoavam as  centenas de pobres agricultores que trabalhavam nas terras e nos serviços do castelo.

Eram chamados de "servos da gleba", uma forma de propriedade dos nobres, que dispunham da suas vidas a bel prazer. Trabalhavam sem receber salários para os tais ricos senhores, que, em troca, os deixavam morar e cultivar em suas terras, mas, sempre se apropriando da maior parte das colheitas. Não podiam se transferir de local, se ausentar ou mudar de patrão, permaneciam por toda vida nas terras do seu senhor.

Aproximadamente no ano de 1493 a atual Itália chegou ao  que denominamos hoje de período renascentista, quando, em vários locais  da península, floresceram as artes e novamente voltaram a crescer as cidades. Nessa época o país Itália ainda não existia, a península estava  assim dividida: ao sul o Reino das duas Sicílias, que viu por ela passar vários povos que a dominaram por séculos: gregos, romanos, muçulmanos, francos normandos e finalmente os espanhóis. O centro do atual país era domínio da Igreja, com a sede do governo em Roma, no Vaticano e o norte dividido em vários impérios, senhorias, ducados e repúblicas, entre as quais se destaca a rica e potente República Sereníssima de Veneza.

É justamente nessa república de grande tradições marinhas, que teve uma duração de 880 anos, que se encontra hoje a região do Vêneto, cuja capital fica na cidade de Veneza. Esta região é constituída por sete províncias: Treviso, Veneza, Verona, Vicenza, Pádua, Belluno e Rovigo. Foi exatamente na província veneta de Treviso que a história da família Piazzetta teve início.

A situação social, política e econômica da região do Vêneto, que se seguiu ao movimento conhecido por Risorgimento, que durou de 1840 a 1870, culminando com a unificação da Itália se agravou de uma maneira antes não sentida. A partir dos últimos 25 anos do século XIX, com o aumento do custo de vida e o grande desemprego no campo, tornaram insustentável a vida dos menos favorecidos. 

A fome, a pelagra e a falta de perspectivas de um futuro melhor, forçaram milhares de homens, mulheres e crianças a abandonarem para sempre suas vilas e cidades natais, seus familiares, emigrando definitivamente para países longínquos em busca de uma melhor sorte, que na maior parte das vezes nada mais era que um trabalho digno, um pedaço de pão à mesa e um futuro melhor para os filhos.

O Império Brasileiro naquela época estava vivenciando diversos movimentos abolicionistas com 0 surgimento de novas leis que procuravam proteger os escravizados, como a Lei do Sexagenário, em que o escravo era libertado quando atingia sessenta anos, a Lei do Ventre Livre, em que o filho de escravos era considerado livre, leis que progressivamente culminaram na abolição definitiva da escravatura no país em 1888.

Pela sua vasta extensão, pelas várias facilidades proporcionadas pelo governo brasileiro, no início do período migratório, se tornou desde logo no sonho da maioria daqueles emigrantes vênetos que procuravam um lugar para trabalhar e ganhar o pão de cada dia, um lugar em que pudessem ser proprietários das terras em que trabalhavam e livres para poderem dar um futuro melhor aos seus filhos.

A difícil decisão de emigrar, as incertezas e os temores da viagem através do desconhecido oceano, as precárias condições a bordo, as inúmeras dificuldades encontradas ao chegarem na nova terra, marcaram profundamente a vida dos nossos antepassados, e estes sentimentos foram repassadas para nós seus descendentes, como uma forma de herança.

Para melhor situar o leitor no tempo, iniciaremos este relato a partir do ramo da família Piazzetta descendente do emigrante vêneto Francesco Piazzetta, que chegou no Brasil no ano de 1890. Lembramos, por outro lado, que este espaço está aberto para a divulgação de todos os demais ramos da Família Piazzetta, bastando aos interessados nos enviar material para o endereço de contato do autor deste blog: luizcpiazzetta@gmail.com


28 setembro 2022

Os filhos de Francesco Piazzetta e Maria A. S. Verri

Giovanna Piazzetta Viviani, filho, nora e netos

 


Portanto nasceram em Pederobba, província de Treviso os filhos, dos quais tenho os respectivos registros de batismo: 


Giovanna Antonia, 

Giuseppe Giovanni, 

Giovanni Battista, 

Giuseppe, 

Giuseppe Pompilio, 

Colomba Rosa, 

Noè, 

Augusta Aurora 

Angelo. 


Giovanna Antonia Piazzetta, conhecida também como "Giovannella", nasceu em 20.03.1867 e em 1888 se casou com Luigi Viviani, tiveram dois filhos: Luigi Piazzetta Viviani e Angelo Piazzetta Viviani. 

Não sei se o casal mas, certamente Giovanna e os filhos tiveram uma experiência de emigração para a França, mas depois, em algum momento retornaram para Pederobba. 

Não emigrou para o Brasil e ficou vivendo em Pederobba. Ainda não descobrimos o ano de seu falecimento.

Giovanni Piazzetta Viviani 


Em Outubro de 2002, quando de uma das nossas visitas a Pederobba, conhecemos os Sr. Giovanni Viviani, neto de Giovanna Piazzetta Viviani.

Giovanni Viviani ao lado da foto de Francesco Piazzetta




Giuseppe Giovanni Piazzetta, nasceu a contrada Ghetto, Pederobba, em 1869 e faleceu em 1872.

Giovanni Battista Piazzetta, nasceu a contrada Ghetto, Pederobba, em 17.03.1871 e faleceu em Curitiba, PR, em 01.07.1965. Era casado com Antonia Nadalin falecida em 30.06.1943.

Giuseppe Piazzetta, nasceu a contrada Ghetto,  Pederobba, em 1873 e faleceu em 1874.

Colomba Rosa Piazzetta, nasceu a contrada Ghetto, em 1876, morava no bairro Umbará e faleceu em Colombo, PR. Era casada com Antonio Merlin.

Augusta Aurora Piazzetta, nasceu a contrada Ghetto 278, em 26.06.1880 e faleceu em Curitiba, PR em 14.04.1969. Era casada com Giacomo Di Giorgio e tiveram seis filhos: Augusto, Adelina, Leonora, Maximo, Izaura e João.

Noé Piazzetta, nasceu no dia 27 de Janeiro de 1879, no bairro conhecido como contrada Ghetto número 278, na cidade de Pederobba, província de Treviso. Faleceu em Curitiba, PR em 27 de Agosto de 1929.




A Segunda Migração da Família Piazzetta

 

Francesco Piazzetta




Por motivo de trabalho, procurando melhores oportunidades, um dos filhos de Giuseppe Piazzetta e Caterina Franco chamado Francesco Piazzetta migrou mais para o sul, passando a residir no vizinho município de Pederobba, então já na província de Treviso. 


Brasão do Comune di Pederobba



Não temos conhecimento do ano em que esta mudança ocorreu e se ele migrou sozinho ou em companhia de mais algum dos irmãos ou parentes. 


Centro do distrito Pederobba do município Pederobba





No mês de Abril do ano 1866 Francesco se casou com Maria A. Segusino Verri, esta nascida em 03 de Agosto de 1844, no vizinho município de Segusino, província de Treviso.

Maria A. Segusino Verri era filha de Giovanni Verri e Antonia Faccin — ele, segundo as pesquisas, nasceu na região da Lombardia, descendente da conhecida família Verri, da cidade de Milão. O que comprova esse fato, é  um relato do próprio Francesco Piazzetta. Dizia que a única lembrança que tinham da família Verri teria sido um conjunto de três talheres em prata, com o brasão nobiliárquico desta conhecida família milanesa, cunhados nos cabos. 

O pais de Maria Verri eram proprietários de uma pequena pousada e restaurante, localizado às margens do rio Piave, no município de Segusino, onde serviam refeições e davam abrigo aos inúmeros balseiros que, naquela época, percorriam o rio, levando principalmente toras de madeira retiradas de florestas da província de Belluno, com destino a Veneza. Os balseiros desciam o rio Piave e na volta, subiam caminhando quando retornavam para Belluno, precisavam parar para descansar e se alimentar.

Francesco Piazzetta e Maria A. Segusino Verri tiveram nove filhos, todos nascidos em Pederobba, província de Treviso. Devido as precárias condições da vida vigentes no Vêneto de então, tiveram a infelicidade de perder quatro deles ainda crianças. Temos as certidões de batismo e de nascimento de todos eles.



Igreja Paroquial Santos Pedro e Paulo em Pederobba



Assim nasceram em Pederobba, província de Treviso: Giovanna Antonia (Giovanella), Giuseppe Giovanni, Giovanni Battista, Giuseppe, Giuseppe Pompilio, Colomba Rosa, Noé, Augusta Aurora e Angelo.

Maria Verri faleceu em 29 de Dezembro de 1866 com a idade de 42 anos, devido um câncer de mama, deixando Francesco viúvo com cinco filhos para criar.


















A origem remota da Família Piazzetta

Piazza Maggiore de Feltre

 


Em todas as pesquisas por nós realizadas na Itália, sempre encontramos referências muito antigas da presença de membros da Família Piazzetta na cidade de Feltre, província de Belluno. Assim, e ainda com base nesses mesmos estudos, podemos intuir que as raízes da grande Família Piazzetta estão nesta cidade ou em seus arredores, uma vez que os limites geográficos entre os municípios atualmente conhecidos, mudaram muito no decorrer dos anos.

Sabemos que a cidade de Feltre foi invadida e saqueada pelos exércitos comandados por Maximiliano I. A cidade de Feltre foi muito danificada e este fato deve ter ocasionado um grande êxodo dos seus habitantes para escapar dessa tragédia.

A procura por trabalho, sempre foi um importante motor dos grandes movimentos migratórios em todo o mundo. Acarretava e ainda, nos dias de hoje, continua motivando os grandes deslocamentos de populações.

Em uma cidade sitiada e depois saqueada, com certeza, era necessário se afastar e procurar abrigo e recursos em outros locais. Esses dois foram provavelmente os motivos que obrigaram os membros da Família Piazzetta a migrarem mais ao sul, em Alano di Piave ainda na província de Belluno, em busca de segurança e trabalho. 

Segundo registros encontrados em Pederobba, os membros da família Piazzetta eram artesãos e sempre se dedicaram ao trabalho da madeira. Eram hábeis entalhadores e escultores, além de marceneiros, cujos trabalhos se encontram hoje  facilmente em inúmeras igrejas da região e até em Veneza. O trabalho deles era muito disputado pelos senhores da época. Esta habilidade foi provavelmente a causa de terem sido encontrados alguns documentos em Pederobba que apontaram que membros da família Piazzetta trabalharam por muitos anos para algumas famílias nobres e por eles eram bem-quistos e protegidos, como podemos constatar nos registros de batismo de várias épocas de crianças da família Piazzetta que tiveram  como padrinhos  membros de famílias nobres da época.

Naquele tempo de forte separação da sociedade por castas, uma família nobre e rica somente apadrinharia os filhos de um empregado se tivessem estima por ele e, principalmente,  apreciassem a qualidade do seu trabalho.


A primeira migração da Família Piazzetta

Piazza Maggiore da Cidade de Feltre



Em tempos antigos, segundo estudo de um amigo pesquisador de Pederobba, é provável que alguns membros da família Piazzetta, deixaram a cidade de Feltre, na província de Belluno e se deslocaram, costeando as margens  do rio Piave, dirigindo-se  mais para o sul e se fixaram no município de Alano di Piave, mais exatamente na "frazione Fener", ainda na mesma província.



Brasão oficial do Comune di Alano di Piave




Foi exatamente neste município que encontramos os primeiros registros de Giuseppe Piazzetta.


Prefeitura de Alano di Piave





Giuseppe Piazzetta nasceu em Fener, um pequeno distrito do município de Alano di Piave, província de Belluno, no dia 22 de Junho de 1808 e faleceu no ano de 1878, com a idade de 70 anos. 


Antecedentes de Giuseppe Piazzetta




Giuseppe era filho de Giovanni Antonio Domenico Piazzetta e Maria Mezzomo. Não encontramos o local e a data de nascimento de ambos. Sabemos no entanto que Giovanni Antonio era filho de Antonio Piazzetta, nascido por volta de 1750 em local ignorado e de Giovanna Dalla Marta.

Temos a certidão de batismo de Giuseppe Piazzetta. Era casado com Caterina Franco, nascida em 26 de Outubro de 1809, natural da  vizinha cidade de Vaz, na mesma província de Belluno e falecida em 1841 com a idade de 32 anos, muito provavelmente no parto, tendo sido sepultada no mesmo distrito de Fener.


Centro de Alano di Piave


O casal Giuseppe Piazzetta e Caterina Franco tiveram vários filhos, todos nascidos no distrito de Fener, município de Alano di Piave, e entre eles conseguimos localizar os registros de nascimento e batismo de: Francesco, Giuseppe, Maria Giustina e Teresa Matilde.

Frazione Fener

Igreja Paroquial de Fener

Fener no final do século XIX

Hotel Tegorzo